terça-feira, 30 de outubro de 2007

Ao Inominável - II

Estranho como tua voz já me é desconhecida. Apesar de possuir uma memória prodigiosa, optei por esquecer-te. Não foi difícil! Bloqueei mecanismos de acesso a fim de evitar que tuas palavras me penetrassem. Tua imagem fica a cada dia mais nebulosa. As tuas cores e teu sorriso volatilizam-se e transportam-se para longe. Contudo, teu nome ainda surge frequentemente na minha cabeça acompanhado por promessas distantes e expectativas intangíveis que escolhi deixar no passado. Ontem já é distante demais. Caso te encontre na rua, sorrirei para ti como a um estranho. Se quiseres falar comigo novamente, terás de se apresentar como num segundo-primeiro-encontro pois em mim já és desconhecido.


Juliana R. Sanchez
Imagem de Alyssa Monks, Hold, 2006, Oil in Linen.

3 comentários:

Rafael Guerreiro disse...

Longe de mim te ferir de qualquer modo, pois sei que de ontem pra hoje já terá passado tempo considerável pra vc me esquecer!!!hehehe! Belo texto, Jú, apesar de transmitir tanta tristeza...

OBS: Adorei o livro, sei q foi vc q escolheu. Não poderia ter escolhido outro melhor. São os contos que eu sempre quis ler! Valeu mesmo!!!

Lidyane disse...

Olá.. cheguei a seu blog através do Rene.. hum, me identifiquei com o texto. Principalmente pq não entendo o q isso no fundo, no fundo quer dizer.. triste, mas livre. Coisa estranha, não é? Bom, vou continuar minha leitura. Meus parabéns por seu talento!!!

ROBERTA CARRILHO disse...

Suas palavras de todas as formas e sentidos me tocaram, pois são palavras que eu gostaria de tê-las escrito para alguém que está no meu passado recente.

Parabéns pelo lindo texto.

Gosto e identifico com o seu estilo de escrever.